Junho Violeta: Silêncio e invisibilidade são os maiores obstáculos no combate à violência contra a pessoa idosa

Por: Ana Luiza Sá – Comunicação Cáritas – Lages, SC

O envelhecimento da população é uma realidade global, mas o aumento da expectativa de vida traz consigo um desafio urgente que muitas vezes permanece escondido atrás de portas fechadas: a violência contra a pessoa idosa. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data que dá força à campanha “Junho Violeta”. O objetivo principal é um só: quebrar o silêncio e mobilizar a sociedade para proteger uma das parcelas mais vulneráveis da população.

A cor violeta foi escolhida para simbolizar a busca por justiça, respeito e a garantia de direitos de quem já muito contribuiu com a sociedade. No entanto, o maior obstáculo para a erradicação desse problema ainda é a subnotificação. Muitos idosos sofrem em silêncio por medo, vergonha ou por dependerem financeiramente e emocionalmente de seus agressores — que, em grande parte dos casos, são membros da própria família.

Mais do que marcas físicas: os rostos da violência

Engana-se quem pensa que a violência se restringe à agressão física. A legislação brasileira, por meio do Estatuto do Idoso, reconhece diversas formas de violações de direitos. Especialistas e redes de apoio alertam para a necessidade de saber distinguir cada uma delas para poder agir:

  • Violência Psicológica: Humilhações, xingamentos, ameaças ou isolamento forçado do idoso de seu convívio social.
  • Violência Financeira ou Patrimonial: Uso não autorizado dos recursos, retenção do cartão de aposentadoria ou exploração dos bens do idoso sem o consentimento dele.
  • Negligência e Abandono: Omissão de cuidados básicos, como negação de alimentação adequada, higiene, medicamentos e assistência médica.
  • Violência Física: Uso da força para compelir o idoso a fazer o que não deseja, ferindo sua integridade corporal.

Acolhimento e escuta: o papel das redes de apoio locais

O combate a essa realidade não se faz apenas com leis, mas com presença ativa nas comunidades. Iniciativas que promovem rodas de conversa tanto em perímetros urbanos quanto em áreas rurais e comunidades tradicionais têm se provado ferramentas fundamentais de transformação.

foto por: Ana Sá.

Esses espaços de acolhimento cumprem um papel duplo. Primeiro, informam os idosos sobre os seus próprios direitos de forma simples e direta, ensinando-os a identificar quando estão sendo vítimas de abusos que antes consideravam “normais”. Segundo, criam um canal seguro onde psicólogos e assistentes sociais podem realizar encaminhamentos para atendimentos individuais ou visitas domiciliares, oferecendo suporte antes que a situação chegue a um ponto irreversível.

Como denunciar e pedir ajuda

A denúncia é a principal ferramenta para romper o ciclo da violência. Qualquer pessoa que presencie ou suspeite de violações contra a pessoa idosa pode e deve acionar os canais de proteção. O sigilo é garantido.

Canais de Denúncia:

  • Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Serviço nacional gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
  • Polícia Militar (190): Para situações de emergência ou risco imediato.
  • Rede de Proteção Local: Delegacias de Polícia Civil, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e o Conselho Municipal do Idoso (CMI).

Garantir um envelhecimento seguro, digno e saudável não é uma responsabilidade individual, mas um dever coletivo estabelecido por lei. O Junho Violeta passa, mas o compromisso de vigiar, acolher e denunciar deve durar o ano inteiro.

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