A combinação entre acolhimento emocional e orientação de direitos em grupo fortalece a mente, combate o isolamento e protege a melhor idade.
Por: Ana Luiza Sá – Comunicação Cáritas – Lages, SC
Envelhecer traz consigo uma bagagem cheia de histórias, mas também desafios que vão além das consultas médicas tradicionais. O isolamento social, a perda de autonomia e o luto são realidades frequentes na terceira idade que impactam diretamente a saúde mental. Diante disso, uma ferramenta simples e poderosa tem ganhado destaque nos projetos de assistência social: as rodas de conversa mediadas por psicólogos e assistentes sociais.
Muito mais do que um espaço para desabafar, esses encontros comunitários funcionam como uma terapia coletiva e uma sala de cidadania ao mesmo tempo. Ao sentarem em círculo, os idosos encontram um ambiente seguro para compartilhar angústias, rir, relembrar o passado e, principalmente, descobrir que não estão sozinhos.
O impacto psicológico: o poder do pertencimento
Para a psicologia, a roda de conversa atua diretamente em um dos maiores vilões da terceira idade: a solidão. O ato de ouvir o outro e perceber que o vizinho compartilha das mesmas dores ou medos gera uma sensação imediata de pertencimento e acolhimento.
Diferente de um consultório fechado, o formato de grupo estimula a socialização de maneira espontânea. Os psicólogos utilizam dinâmicas que ativam a memória, exercitam a expressão de sentimentos e ajudam o idoso a ressignificar o envelhecimento, enxergando-o como uma fase de novas descobertas e não de inutilidade. O resultado prático é a diminuição visível de sintomas de ansiedade e depressão, além de uma melhora expressiva na autoestima.
A visão do assistente social: informação como proteção
Se a psicologia cuida das emoções, os assistentes sociais cuidam das garantias de direitos. A presença do assistente social na roda de conversa é estratégica para traduzir os direitos da pessoa idosa de forma acessível e prática.
Nesses encontros, temas complexos como o Estatuto do Idoso, os canais de denúncia contra abusos (Disque 100), o acesso a benefícios sociais (como o BPC) e o funcionamento da rede pública (CRAS e CREAS) são debatidos de forma leve.
Muitas vezes, é durante uma dinâmica em grupo que um idoso consegue identificar que está sofrendo violência psicológica ou patrimonial dentro de casa. Ao ouvir o profissional detalhar o que é negligência ou abuso financeiro, o participante ganha a coragem e o suporte técnico necessários para romper o ciclo do silêncio.
“A roda de conversa horizontaliza o conhecimento. O profissional não está ali para dar uma palestra rígida, mas para construir a solução junto com a comunidade. É o espaço onde o afeto e o direito se encontram”, explicam especialistas em políticas públicas de assistência social.
Benefícios que ultrapassam os encontros
Os reflexos das rodas de conversa são sentidos no dia a dia dos bairros. Os idosos que participam tornam-se mais ativos, comunicativos e vigilantes uns com os outros, criando uma rede de apoio vizinha e solidária.
Ao unir a sensibilidade da psicologia com a força técnica da assistência social, as comunidades ganham um escudo preventivo eficaz. Afinal, cuidar da melhor idade exige atenção integral: proteger o corpo, acolher a mente e garantir os direitos.

